Annonaceae

Cymbopetalum euneurum N.A.Murray

Como citar:

Marta Moraes; Eduardo Fernandez. 2019. Cymbopetalum euneurum (Annonaceae). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

51.368,987 Km2

AOO:

24,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020), com ocorrência nos estados: AMAPÁ, município de Porto Grande (Lima-Barbosa 53); AMAZONAS, municípios de Manaus (Sothers 960) e Presidente Figueiredo (Stancik 320).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2019
Avaliador: Marta Moraes
Revisor: Eduardo Fernandez
Critério: B2ab(ii,iii)
Categoria: EN
Justificativa:

Árvore de até 6 m, endêmica do Brasil (Flora do Brasil 2020 em construção, 2019) foi registrada nos estados do Amapá e Amazonas, em Floresta de Terra Firme e de Igapó. Popularmente conhecida como envira, apresenta AOO=24km² e três situações de ameaça. Dos 17 registros de coleta da espécie, 13 foram feitos há mais de 30 anos. O desmatamento, as queimadas e conversão dos territórios desmatados em áreas de pasto e agricultura, são as principais ameaças à espécie. No município de Presidente Figueiredo a pecuária encontra-se em desenvolvimento, com perspectivas de aumento futuro, particularmente a criação de bovinos. A área ocupada pela agropecuária situa-se ao longo das estradas BR-174, AM-240, onde estão implantadas diversas fazendas com predominância de pastagens, e ao longo das vicinais, onde se praticam atividades agrícolas (ICMBio, 1997). O município de Rio Preto da Eva localizado na Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas é atravessado pela AM-010 que liga Manaus a Itacoatiara, e a BR-174, frentes de expansão do desmatamento, da agricultura e pecuária. O desenvolvimento urbano em Manaus e sua proximidade com a Reserva Adolpho Ducke que sofre grande pressão devido ao surgimento cada vez mais intenso de ocupações irregulares em seu entorno (Nogueira et al., 2007). Embora registrada em Unidades de Conservação, infere-se o declínio contínuo de AOO, extensão e qualidade do habitat. A espécie foi assim considerada Em Perigo (EN) de extinção, devendo ser incentivadas ações de pesquisa (distribuição e censo populacional) e conservação (in situ e ex situ, inclusão em Plano de Ação e Planos de Manejo) para garantir sua perpetuação na natureza.

Último avistamento: 2012
Quantidade de locations: 3
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita em: Syst. Bot. Monogr. 40: 71 (1993). Popularmente conhecida como "envira". Árvore com até 4 m alt. Frutos maduros vermelhos (Murray, 1993). Cymbopetalum euneurum foi descrita em 1993, relativamente recente. Os espécimes antes dessa data eram identificados como Cymbopetalum brasiliensis, essa última de ampla distribuição. As duas espécies são diferentes no formato das pétalas e do fruto e número de sementes (Murray 1993).

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Desconhecido
Detalhes: Não é conhecido o valor econômico da espécie.

População:

Flutuação extrema: Não
Detalhes: Não existem dados sobre a população.

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: tree, bush
Fenologia: perenifolia
Longevidade: perennial
Luminosidade: esciophytic
Biomas: Amazônia
Vegetação: Floresta de Terra-Firme, Floresta de Igapó
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: Arvoretas de até 6 m de altura (Sothers 960), ocorrendo no domínio da Floresta Amazônica, em solos arenosos ou argilosos, nas formações de Terra Firme e de Igapó (Murray 1993).
Referências:
  1. Murray, N.A. 1993. Revision of Cymbopetalum and Porcelia (Annonaceae). Systematic Botany Monographs, 40: 1-121.

Reprodução:

Fenologia: flowering (Mar~Mar), flowering (May~May), fruiting (Fev~Apr), fruiting (Jul~Jul), fruiting (Sep~Dec)
Polinizador: Cymbopetalum euneurum é uma espécie hermafrodita, foi coletada com flores em março (Coelho 5199) e junho (Rodrigues 5281); com frutos e botões florais em abril (Ramos 1738) e maio (Loureiro INPA 37956); e com frutos em fevereiro (Ferreira 57-38), março (Webber 1448), abril (Assunção 195), julho (Rocini s.n.), setembro (Lima-Barbosa 53), outubro (Miralha 289), novembro (Chagas INPA 5947) e dezembro (Sothers 960).
Estratégia: unknown
Sistema sexual: hermafrodita
Sistema: unkown

Ameaças (7):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 9.1 Domestic & urban waste water habitat past,present local medium
O chorume gerado do aterro sanitário da cidade de Manaus, contem alta concentração dos metais pesados (Zn, Co, Ni, Cu, Fe, e Pb). Este chorume contamina os corpos hídricos da Bacia do Tarumã-Açu causando impacto ambiental. Segundo Santana e Barroncas (2007) a alta concentração destes metais pesados está muito acima dos valores permitidos pela resolução 357/2005 do CONAMA.
Referências:
  1. Santana, G.P.; Barroncas, P.S.R. 2007. Estudo de metais pesados (Co, Cu, Fe, Cr, Ni, Mn, Pb e Zn) na Bacia do Tarumã-Açu Manaus (AM). Acta Amaz., Manaus, 37 (1): 111-118.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2.3.2 Small-holder grazing, ranching or farming habitat past,present,future local high
No município de Presidente Figueiredo a pecuária encontra-se em desenvolvimento, com perspectivas de aumento futuro, particularmente a criação de bovinos. A área ocupada pela agropecuária situa-se ao longo das estradas BR-174, AM240, onde estão implantadas diversas fazendas e com uma predominância de pastagens, e ao longo das vicinais, onde se pratica predominantemente atividades agrícolas (ICMBio, 1997).
Referências:
  1. ICMBio, 1997. Plano de Manejo Fase I Reserva Biológica Uatumã. http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-planos-de-manejo/rebio_uatuma_pm.pdf. (Acesso em 15 de junho 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.3 Indirect ecosystem effects 9 Pollution habitat past,present local medium
O rio Tarumã e seus afluentes, estão impactados por resíduos provenientes de um aterro sanitário e secundariamente por esgotos domésticos (Santos et al., 2006)
Referências:
  1. SANTOS, Izaias Nascimento dos et al . Influência de um aterro sanitário e de efluentes domésticos nas águas superficiais do rio Tarumã e afluentes - AM. Acta Amaz., Manaus , v. 36, n. 2, p. 229-235, 2006 .
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2 Agriculture & aquaculture habitat past,present,future regional high
Rio Preto da Eva é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. Está situado a 78 km da capital amazonense. É atravessado pela AM-010 que liga Manaus a Itacoatiara, e a BR-174, frentes de expansão do desmatamento, da agricultura e da pecuária. O estabelecimento do município em 1981 deve-se ao fato de ter sido implantada a colônia agrícola por imigrantes japoneses e alguns colonos brasileiros que se instalaram em fins de 1967, assim como a abertura da AM-010 (Lapig, 2018)
Referências:
  1. Lapig, 2018. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 11 de junho 2018).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.1 Ecosystem conversion 11.1 Habitat shifting & alteration occupancy past,present,future local high
Com uma alta densidade demográfica (41 hab. por ha), na zona Norte de Manaus o crescimento populacional tem sido o principal responsável pela degradação ambiental que a mesma vem sofrendo. A construção de conjuntos habitacionais pelo poder público e privado é um dos principais responsáveis pelo desmatamento verificado nos últimos18 anos. Mas sua proximidade com a Reserva Adolpho Ducke há uma grande preocupação, pois os estudos mostram que a Reserva sofre grande pressão devidoao surgimento cada vez mais intenso de ocupações irregulares em seu entorno (Nogueira et al., 2007).
Referências:
  1. Nogueira, A.C.F.; Sanson, F.; Pessoa, K., 2007. A expansão urbana e demográfica da cidade de Manaus e seus impactos ambientais.
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2.3 Livestock farming & ranching habitat,mature individuals past,present,future regional high
O município de Porto Grande (AP) com 445.339 ha tem 29.015 ha (6,5%) de seu território convertidos em pastagem (MapBiomas 2018).
Referências:
  1. Projeto MapBiomas – Coleção 4.0 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso de Solo do Brasil, acessado em 5 de setembro de 2019 através do link: http://mapbiomas.org
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 2.1 Annual & perennial non-timber crops occupancy past,present local medium
O município de Porto Grande (AP), com 445.339 ha, tem 8264 ha (1,8%) de seu território convertidos em floresta plantada (Lapig 2019).
Referências:
  1. Lapig, 2019. http://maps.Lapig.iesa.ufg.br/Lapig.html (acesso em 5 de junho 2019).

Ações de conservação (1):

Ação Situação
1 Land/water protection on going
A espécie foi registrada na Reserva Florestal Adolpho Ducke; Reserva Biológica de Uatamã (PI).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown
Não existem dados sobre usos efetivos ou potenciais.